como conseguir? Como evitar que a balança tombe inevitavelmente para um dos lados? Como evitar sentirmos que estamos a perder a carruagem...qualquer que seja o nosso esforço para um desses lados....
Regressei ao trabalho, e pensei que fosse mais fácil, quer dizer continuo dedicada, comprometida, a tentar por todas as vias automotivar-me, a olhar em frente e para os lados à procura de aprender algo de novo, a criar desafios, mas eles tardam em aparecer....
Já não vejo a cenoura, a cenoura para a qual corri sempre desde que aqui cheguei....e por isso não sei para onde corra, não sei a quem mostrar trabalho, se a mim se aos outros, não sei como recuperar de uma ausência que ao contrário do que diziam só me criou fragilidades....
Continuo perfeccionista, mas já não o consigo ser...sinto-me como a máquina nova que chegou à fábrica e que deslumbrou, que superou expectativas que nem a própria máquina tinha.....sinto-me como a máquina que passados uns anos de trabalho, muito trabalho sem parar, com toda a dedicação do mundo avariou, e ainda que reparada já não é a máquina nova....é "a" máquina que era mas já não é.....que não entende o seu lugar e por isso no seu ram ram anda mais devagar, mais compenetrada para si mesma, ainda altruísta, ainda emocionalmente ligada, mas já (muito) desiludida....
e depois o outro lado, o das perdas pessoais, o de não ver o baby a gatinhar, de chegar e ele não sorrir, de o querer agarrar contra o meu peito e ele espernear para sair, o de não o ter visto sentar sózinho....
sinto a minha balança avariada, e na tentativa frustrada de a equilibrar não sei para que lado a deva pender ainda que a escolha pareça fácil implica desligar-me de tudo o que sempre fui, de tudo o sempre quis ser, da minha ambição, da minha vontade de dar dar dar sem falhas e reprimendas...da minha vontade de sucesso...
Eu queria tudo....e agora não tenho nada....duas horas de baby, e oito de nada....
oito de nada num open space cheio onde há um ano me sentia forte, confiante, reconhecida, eficiente....sinto-me agora desamparada, fragilizada, despromovida....e eu que dei sempre, quedefendi sempre, que ajudei sempre, que enchi sempre o peito para enfrentar as dificuldades, para ser justa, sinto-me agora tão somente só...
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